No âmbito da unidade de Saúde desenvolvi um trabalho sobre a eutanásia, também conhecida por morte misericordiosa, em que estabeleci algumas distinções fundamentais. A saber: eutanásia voluntária, involuntária e não voluntária. Além disso, lembrei que se trata de um debate atual na sociedade portuguesa. Imaginando, por isso, o que seria uma conversa sobre o assunto sobre dois colegas de trabalho. A conversa que deixo de seguida:
- António já viste que agora o assunto da eutanásia esta a ser discutido
na assembleia da republica? Não sei porquê, parece-me completamente ridículo
este assunto ter discussão. Até porque a igreja diz que não se deve por termo à
vida, mesmo que as pessoas estejam doentes.
- Oh Zé respeito a tua opinião, mas não concordo nada contigo. Então tu
já reparaste que caso a eutanásia fosse legalizada, o nosso país evitava uma
série de problemas, tanto para os pacientes como para os médicos. Iria ser útil
até para ti que és contra.
- Ah sim porquê?
- Porque só assim é que a vontade de todos seria respeitada. Repara que o
que está em causa é a eutanásia voluntária.
-Qual é a diferença?
- Só haveria eutanásia para quem a deseja. Pondo fim à involuntária, que
é o que se passa em muitos casos, hoje em dia.
-Como assim?
-É muito simples. Se não houver uma lei que defina as condições em que se
pode recorrer à eutanásia, neste caso de acordo com a vontade do paciente, são
os médicos quem decide, muitas vezes ignorando essa vontade e outras
opondo-se-lhes, que é o teu caso.
-Pois é, nunca tinha pensado nisso.
-Pois é, é que nesse caso, não voluntária, contra a vontade do paciente
poderá ser considerado um crime. E os médicos não são criminosos, eles só
querem ajudar. É por isso que também se chama à eutanásia de suicídio
assistido.
- Bem vistas as coisas, talvez tenhas razão. Mas não será melhor ajudar
as pessoas a suportar a dor? É para isso que servem os medicamentos…
-Pois, mas uma coisa não invalida a outra, temos que continuar a apostar
nos cuidados paliativos, para quem assim desejar. Para os outros, os que
preferem por termo à vida, a mesma coisa, temos que respeitar. Já agora, já
viste o Mar Adentro?
É inspirado num caso real, o de Ramon Sampedro, um galego que esteve quase
trinta anos numa cama, paraplégico, à espera que alguém o ajudasse a morrer.
-Isso parece um bocado pesado, mas
vou tentar ver.
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